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IA na Advocacia14 de abril de 202610 min de leitura

Jus IA Experience 2026: o que o maior evento de IA jurídica do Brasil revela sobre os riscos que ainda existem

No Jus Brasil Experience 2026, o Jusbrasil revelou que o Jus IA acerta 88% das citações. Entenda o que os 12% de erro significam para o advogado que assina a peça.


No dia 13 de abril de 2026, o Jusbrasil reuniu mais de 500 convidados no MASP, em São Paulo, e milhares de espectadores online para o Jus Brasil Experience, o primeiro grande evento presencial da empresa. O objetivo: apresentar a nova fase do Jus IA, a inteligência artificial jurídica da plataforma, e anunciar sua inclusão em todos os planos de assinatura.

O evento foi um marco para o setor. Mas entre os aplausos e as novidades, os números apresentados revelam algo que poucos notaram: mesmo a melhor IA jurídica do Brasil ainda erra.

E quando uma IA jurídica erra, quem responde é o advogado.

O que foi anunciado no Jus Brasil Experience

Rafael Costa, CEO e fundador do Jusbrasil, abriu o evento com números expressivos sobre o primeiro ano do Jus IA:

  • 300 mil advogados utilizando a ferramenta mensalmente
  • 350 mil mensagens trocadas com o Jus IA por dia
  • 100 mil processos e documentos analisados diariamente
  • 5,5 milhões de citações verificadas de legislação e jurisprudência
  • 3,5 milhões de peças jurídicas escritas com auxílio da ferramenta

São números que mostram uma adoção sem precedentes de IA no mercado jurídico brasileiro. O Jus IA se tornou, em um ano, o maior caso de adoção de inteligência artificial jurídica do mundo, segundo o próprio Jusbrasil.

As principais novidades

Daniela Pantelades, diretora de produto do Jusbrasil, apresentou as funcionalidades que marcam a transição da empresa de "ferramenta de pesquisa jurídica" para "plataforma de trabalho jurídico". Entre os destaques:

Pesquisa com os três pilares do direito. O Jus IA passa a integrar jurisprudência, legislação e doutrina em uma mesma resposta, com verificação de vigência dos dispositivos legais e trechos exatos das obras doutrinárias. Até então, apenas jurisprudência era utilizada como fonte.

Elaboração de petições integrada. O advogado pode construir pesquisa, consolidar raciocínio e gerar petições no mesmo ambiente, sem perder contexto entre as etapas.

Organização por casos. Cada caso se torna um ambiente permanente onde documentos, conversas e contexto se mantêm e evoluem com o tempo, incluindo a importação automática de dados processuais via número CNJ.

Casos semelhantes. A plataforma busca processos similares na base do Jusbrasil, filtrando por tribunal e relator, para fortalecer a estratégia jurídica.

Aplicativo mobile com áudio e integração WhatsApp. O advogado pode enviar áudios, textos e documentos recebidos de clientes via WhatsApp diretamente para o Jus IA, que transcreve, processa e estrutura tudo como contexto do caso.

Monitoramento proativo. O Jus IA identifica movimentações processuais relevantes e sugere o próximo passo de forma contextualizada, sem que o advogado precise consultar.

Inclusão em todos os planos. O Jus IA deixa de ser exclusivo dos planos premium e passa a estar disponível para todos os assinantes, incluindo planos de entrada, sem custo adicional. Três novos planos foram lançados: Essencial, Profissional e Premium.

Parcerias acadêmicas. Foram anunciadas parcerias com a Faculdade de Direito da USP e o Laboratório de Inovação da UFBA para oferecer o Jus IA a estudantes de direito.

Para um panorama mais amplo da ferramenta antes destas mudanças, vale revisitar nossa análise detalhada sobre como o Jus IA funciona e quais são suas limitações estruturais.

O estudo de qualidade e o paper aceito no ICAIL 2026

Um dos momentos mais relevantes do evento foi quando Rafael Costa compartilhou os resultados de um estudo de benchmark realizado pelo Jusbrasil:

  • 48 advogados de diferentes áreas e tempos de formação avaliaram respostas jurídicas sem saber qual ferramenta as havia gerado (avaliação duplo-cego)
  • O Jus IA foi escolhido como a melhor resposta em 70% das avaliações
  • A ferramenta apresentou 88% de acerto jurídico
  • Registrou 43% menos alucinações que as principais IAs concorrentes

O paper derivado deste estudo foi aceito na ICAIL 2026 (International Conference on Artificial Intelligence and Law), uma das principais conferências mundiais de IA aplicada ao direito, que acontecerá de 8 a 12 de junho de 2026 na Singapore Management University. A aprovação passou por revisão por pares de cientistas internacionais sem relação com o Jusbrasil. Segundo a advogada Marina Marinho, uma das autoras, uma das avaliações atribuiu nota 98 de 100 ao paper.

O que os números realmente dizem: a margem de erro que ninguém comemora

Os números do estudo são genuinamente impressionantes. Mas vamos olhar pelo lado que importa para quem vai assinar uma petição:

88% de acerto jurídico significa 12% de erro.

Em uma peça com 10 citações de jurisprudência, estatisticamente 1 a 2 podem estar incorretas. Em um dia com 100 mil documentos analisados, são potencialmente 12 mil documentos com algum tipo de imprecisão.

43% menos alucinações não é zero alucinações.

O próprio CEO reconheceu que a empresa trabalha "incessantemente" para melhorar a qualidade. A Marina Marinho, pesquisadora do Jusbrasil e coautora do paper, foi explícita durante o evento: a IA generativa é um "esquema probabilístico" onde o sistema está "adivinhando a próxima palavra" e "a gente não tem como acertar 100% das vezes".

O Jusbrasil sabe disso. E por isso mesmo construiu camadas de verificação e referência de fontes na interface. O sistema mostra as citações, permite ao advogado rastrear cada referência e verifica a vigência de dispositivos legais.

Mas a pergunta que fica é: quantos advogados, na correria do dia a dia, realmente conferem cada citação uma a uma? É justamente nesse tipo de ambiente de pressão que as alucinações de IA chegam às petições sem que ninguém perceba antes do protocolo.

O contexto regulatório que torna a verificação ainda mais urgente

O lançamento do Jus Brasil Experience aconteceu poucos dias depois de uma decisão histórica do STJ.

Em 7 de abril de 2026, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu, no primeiro posicionamento do tribunal sobre o tema, que relatórios produzidos por inteligência artificial generativa não podem ser utilizados como prova em processos penais. O ministro Reynaldo Soares da Fonseca, relator do caso, destacou o risco inerente da alucinação: a apresentação de informações imprecisas, irreais ou fabricadas, porém com aparência de fidedignidade.

Essa decisão não se limita ao processo penal. Ela cria um precedente sobre a confiabilidade da IA generativa no sistema de justiça brasileiro e reforça a responsabilidade do advogado que utiliza essas ferramentas.

A pesquisa "Impacto da IA Generativa no Direito" (2026), publicada pela OAB-SP em parceria com o Jusbrasil, a Trybe e o ITS Rio, confirma a escala do desafio:

  • 77% dos advogados já utilizam IA generativa ao menos uma vez por semana
  • 53% a utilizam para criar documentos e peças jurídicas
  • 68% consideram essencial a supervisão humana para garantir precisão

São 53% dos advogados usando IA para produzir peças. Se 12% dessas peças contêm alguma imprecisão, estamos falando de um volume potencialmente enorme de documentos jurídicos com citações que precisam de uma segunda verificação.

Por que o Jus IA é excelente e ainda assim não elimina a necessidade de verificação

É importante ser claro: o Jus IA é, pelos dados disponíveis, a melhor ferramenta de IA jurídica do mercado brasileiro. Os números do estudo duplo-cego, validados por uma conferência acadêmica internacional, sustentam essa posição.

A arquitetura RAG (Retrieval-Augmented Generation) que busca informações na base proprietária de 7 bilhões de documentos antes de gerar respostas é significativamente mais confiável do que IAs generalistas que respondem "de cabeça". O modelo fundacional próprio, desenvolvido em parceria com a Maritaca AI, e a abordagem Human-in-the-Loop com supervisão de especialistas jurídicos, adicionam camadas de segurança.

Mas nenhuma dessas camadas muda o fato fundamental: IA generativa é probabilística. Ela não "sabe" direito. Ela calcula a próxima palavra mais provável. E "mais provável" não é "correto".

O próprio Jusbrasil reconhece isso repetidamente. Durante todo o evento, a mensagem foi consistente: "o advogado é o piloto", "o raciocínio é dele", "ele precisa revisar e ajustar". Daniela Pantelades enfatizou que o Jus IA "não deixou de ser dela [da advogada] em nenhum minuto" e que a ferramenta "garantiu que nenhuma parte se perdesse".

Essa é a posição correta. E é exatamente por isso que a verificação independente de citações não compete com o Jus IA. Ela complementa.

A nova escala do problema: 300 mil advogados gerando peças com IA

Com a inclusão do Jus IA em todos os planos, o Jusbrasil está democratizando o acesso à IA jurídica para toda a classe. Essa é uma decisão que merece reconhecimento: a paridade de armas que Rafael Costa mencionou no evento (advogados de clientes com menor poder econômico tendo acesso às mesmas ferramentas) é uma causa legítima e importante.

Mas essa democratização tem um efeito colateral que ninguém mencionou no palco do MASP:

Advogados mais novos e menos experientes são exatamente os que têm mais dificuldade para identificar uma citação fabricada.

Um advogado com 20 anos de prática reconhece instintivamente quando um acórdão parece estranho. Um recém-formado, usando o plano essencial do Jus IA pela primeira vez, não tem essa mesma percepção. E com o aplicativo mobile, enviando áudios do WhatsApp e gerando petições no deslocamento entre audiências, a velocidade aumenta mas a atenção à revisão diminui.

A combinação de:

  1. IA com 88% de acerto (12% de erro)
  2. 300 mil advogados com acesso
  3. App mobile incentivando uso rápido e em movimento
  4. Estudantes de direito começando a usar (parceria USP e UFBA)
  5. Integração WhatsApp reduzindo atrito entre "receber informação" e "gerar peça"

Cria um cenário onde o volume de citações jurídicas potencialmente incorretas em petições brasileiras vai aumentar significativamente nos próximos meses. Não porque o Jus IA é ruim. Porque nenhuma IA é perfeita e o volume de uso vai explodir.

O que isso significa para a prática jurídica

A mensagem não é "não use IA". A mensagem é: use IA e verifique.

O Jusbrasil oferece referências de fonte em cada resposta. Isso é ótimo. Mas verificar manualmente cada citação, cada número de acórdão, cada artigo de lei em uma petição de 15 páginas consome exatamente o tempo que a IA prometeu economizar.

É aqui que a verificação automatizada de citações se torna não apenas útil, mas essencial. Ferramentas como o TeseFirme fazem essa verificação automaticamente, cruzando cada citação com 3 modelos de IA independentes para identificar inconsistências antes que cheguem ao juiz. Uma ferramenta que em segundos cruza cada referência citada em uma peça jurídica com as bases oficiais de jurisprudência e legislação, identificando:

  • Citações que não existem (alucinações puras)
  • Citações que existem mas estão incorretamente referenciadas
  • Dispositivos legais revogados ou alterados
  • Ementas que não correspondem ao teor real da decisão

Essa verificação não substitui o trabalho do advogado. Ela garante que, quando ele assina aquela peça, as citações que sustentam sua argumentação realmente existem.

Um novo padrão de qualidade para a advocacia com IA

O Jus Brasil Experience 2026 marcou o início de uma nova era. A advocacia brasileira está entrando definitivamente na era da IA, e o Jusbrasil está na frente desse movimento.

Mas toda revolução gera novos riscos que exigem novas soluções. O advogado do século XXI precisa de um fluxo completo:

  1. Pesquisar e raciocinar com ferramentas como o Jus IA
  2. Gerar documentos com eficiência e contexto preservado
  3. Verificar citações antes de assinar e protocolar
  4. Documentar a diligência para se proteger de questionamentos

Os passos 1 e 2 agora estão cobertos pelo Jus IA de forma acessível para qualquer advogado. Os passos 3 e 4 são a próxima fronteira.

E se o STJ já está rejeitando provas geradas por IA por falta de confiabilidade, é questão de tempo até que tribunais passem a questionar petições cujas citações não resistem a uma verificação básica.

A melhor hora para começar a verificar é agora. Antes que o seu tribunal comece a exigir.

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