IA na Advocacia7 de abril de 20264 min de leitura

76% dos advogados usam IA para peças processuais, mas quantos verificam as citações?

Pesquisa com 1.800 advogados mostra que 76% já usam IA para peças processuais. Mas o volume de multas por citações falsas revela um gap crítico.


O relatório "Impacto da IA Generativa no Direito" (edição 2026), publicado em março, é o levantamento mais abrangente já realizado sobre a adoção de IA pela advocacia brasileira. Produzido em parceria entre seis seccionais da OAB (SP, PR, BA, GO, PE e ES), o Jusbrasil, a escola de tecnologia Trybe e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), os dados revelam que a IA já é parte estrutural da rotina jurídica no Brasil.

Fonte: Migalhas - OAB/ES participa de relatório sobre IA no setor jurídico - Edição 2026

Os números que definem o cenário

A pesquisa contou com mais de 1.800 respondentes de todas as regiões do país, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2%. Os dados primários foram coletados via formulário distribuído nos canais digitais das seccionais e das instituições parceiras. O perfil dos respondentes: 83% atuam na iniciativa privada, sendo 51% de forma autônoma e 26% em escritórios de advocacia; 10% exercem funções no setor público.

Os números de destaque:

  • 77% dos advogados já utilizam IA generativa ao menos uma vez por semana
  • 76% usam IA para elaborar peças processuais (a aplicação mais comum)
  • 59% utilizam para pesquisa jurídica
  • 58% para redação de pareceres e memorandos
  • 56% para análise e revisão de contratos
  • 68% consideram essencial a supervisão humana para garantir precisão

A contradição que o mercado precisa resolver

Os dados revelam uma contradição importante: 76% dos advogados já usam IA para peças processuais, e 68% reconhecem que a supervisão humana é essencial. Mas o volume crescente de multas por citações falsas em tribunais brasileiros (STJ, TST, TSE, TRTs, TJs) indica que a supervisão efetiva não está acontecendo na mesma proporção do uso.

O cofundador do Jusbrasil, Luiz Paulo Pinho, comentou no contexto da pesquisa que "os dados mostram que o mercado jurídico entrou definitivamente na era da inteligência artificial" e que a IA se torna um "diferencial competitivo" para quem sabe utilizá-la com estratégia.

O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, complementou que "o debate já não é mais sobre se a IA será utilizada, mas sobre como integrá-la de forma estratégica ao trabalho".

O gap entre uso e verificação

Se projetarmos os números da pesquisa para o universo de advogados brasileiros (mais de 1,4 milhão de inscritos na OAB), estamos falando de:

  • Mais de 1 milhão de advogados usando IA semanalmente
  • Mais de 1 milhão utilizando IA para elaborar peças processuais
  • Mais de 950 mil que reconhecem a necessidade de supervisão humana

Quantos desses verificam sistematicamente cada citação antes de protocolar? Os dados da pesquisa não respondem diretamente, mas os casos nos tribunais sugerem que o número é insuficiente. Mesmo ferramentas especializadas como o Jus IA do Jusbrasil continuam exigindo conferência humana, porque respostas jurídicas podem estar incompletas, desatualizadas ou mal referenciadas. Em um universo de mais de um milhão de profissionais usando IA, qualquer margem de erro se transforma rapidamente em alto volume de citações que precisam ser verificadas.

A verificação automatizada de citações é a ponte entre reconhecer que a supervisão é necessária (o que 68% já fazem) e efetivamente exercê-la (o que muitos ainda não praticam). Não por negligência, mas porque verificar manualmente 15 ou 20 citações em cada petição consome exatamente o tempo que a IA prometeu economizar.

Ferramentas como o TeseFirme fazem essa verificação automaticamente, cruzando cada citação com 3 modelos de IA independentes para identificar inconsistências antes que cheguem ao juiz. Uma ferramenta que automatiza essa verificação em segundos resolve o paradoxo: o advogado mantém o ganho de produtividade da IA e adiciona a camada de segurança que o mercado, os tribunais e a própria comunidade jurídica reconhecem como essencial.

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