O relatório "Impacto da IA Generativa no Direito" (edição 2026), publicado em março, é o levantamento mais abrangente já realizado sobre a adoção de IA pela advocacia brasileira. Produzido em parceria entre seis seccionais da OAB (SP, PR, BA, GO, PE e ES), o Jusbrasil, a escola de tecnologia Trybe e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), os dados revelam que a IA já é parte estrutural da rotina jurídica no Brasil.
Fonte: Migalhas - OAB/ES participa de relatório sobre IA no setor jurídico - Edição 2026
Os números que definem o cenário
A pesquisa contou com mais de 1.800 respondentes de todas as regiões do país, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2%. Os dados primários foram coletados via formulário distribuído nos canais digitais das seccionais e das instituições parceiras. O perfil dos respondentes: 83% atuam na iniciativa privada, sendo 51% de forma autônoma e 26% em escritórios de advocacia; 10% exercem funções no setor público.
Os números de destaque:
- 77% dos advogados já utilizam IA generativa ao menos uma vez por semana
- 76% usam IA para elaborar peças processuais (a aplicação mais comum)
- 59% utilizam para pesquisa jurídica
- 58% para redação de pareceres e memorandos
- 56% para análise e revisão de contratos
- 68% consideram essencial a supervisão humana para garantir precisão
A contradição que o mercado precisa resolver
Os dados revelam uma contradição importante: 76% dos advogados já usam IA para peças processuais, e 68% reconhecem que a supervisão humana é essencial. Mas o volume crescente de multas por citações falsas em tribunais brasileiros (STJ, TST, TSE, TRTs, TJs) indica que a supervisão efetiva não está acontecendo na mesma proporção do uso.
O cofundador do Jusbrasil, Luiz Paulo Pinho, comentou no contexto da pesquisa que "os dados mostram que o mercado jurídico entrou definitivamente na era da inteligência artificial" e que a IA se torna um "diferencial competitivo" para quem sabe utilizá-la com estratégia.
O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, complementou que "o debate já não é mais sobre se a IA será utilizada, mas sobre como integrá-la de forma estratégica ao trabalho".
O gap entre uso e verificação
Se projetarmos os números da pesquisa para o universo de advogados brasileiros (mais de 1,4 milhão de inscritos na OAB), estamos falando de:
- Mais de 1 milhão de advogados usando IA semanalmente
- Mais de 1 milhão utilizando IA para elaborar peças processuais
- Mais de 950 mil que reconhecem a necessidade de supervisão humana
Quantos desses verificam sistematicamente cada citação antes de protocolar? Os dados da pesquisa não respondem diretamente, mas os casos nos tribunais sugerem que o número é insuficiente. Mesmo ferramentas especializadas como o Jus IA do Jusbrasil, com 88% de acerto jurídico comprovado em estudo duplo-cego, deixam 12% de margem de erro. Em um milhão de advogados produzindo peças diariamente, esse percentual se traduz em um volume enorme de citações que precisam ser verificadas.
A verificação automatizada de citações é a ponte entre reconhecer que a supervisão é necessária (o que 68% já fazem) e efetivamente exercê-la (o que muitos ainda não praticam). Não por negligência, mas porque verificar manualmente 15 ou 20 citações em cada petição consome exatamente o tempo que a IA prometeu economizar.
Ferramentas como o TeseFirme fazem essa verificação automaticamente, cruzando cada citação com 3 modelos de IA independentes para identificar inconsistências antes que cheguem ao juiz. Uma ferramenta que automatiza essa verificação em segundos resolve o paradoxo: o advogado mantém o ganho de produtividade da IA e adiciona a camada de segurança que o mercado, os tribunais e a própria comunidade jurídica reconhecem como essencial.